Em 2024, no auge da minha dor (derivada a uma queda em que bati com o cóccix no fundo da piscina), vi anunciado um retiro de meditação Chan. Intuitivamente, percebi que era a solução para o meu problema. Racionalmente, não fazia sentido pois nessa altura já nem conseguia sentar-me sem dor e sem ajuda de uma almofada especial (que ia comigo para todo o lado - no trabalho quotidiano à frente do computador, em viagens de automóvel, idas ao cinema, … até em viagens de avião). Já levava quase 1,5 ano de dor 24h/dia e apenas a fisioterapia pélvica resultava, mas o alívio era de curta duração e financeiramente insustentável. Tive de começar a usar um aparelho ortodôntico porque a minha postura ficou comprometida (com dores horrorosas na articulação temporo-mandibular e zumbidos ensurdecedores).
Tudo isto coincidiu com um ritmo de trabalho exasperante, pelo que sentia que precisava urgentemente de fazer um reset ao meu sistema nervoso, já em stress com um problema de anca. Era este o cenário quando me cruzei com a meditação Chan. Como sempre, confiei na minha intuição.
Entreguei-me de corpo e alma ao processo, conduzido na altura pela Venerável XianAn Sunim e, passados 3 dias de meditação em regime de internato, foi como se a dor tivesse desaparecido como que por magia, como se a dor que ligava o cérebro e o cóccix tivesse sido desconectada. Nos dias seguintes ao retiro, estive atenta e a dor não regressava… demorei ainda algum tempo a largar a almofada, até que finalmente ganhei coragem e abandonei definitivamente essa muleta física e psicológica. Hoje continuo a praticar e continuo a ver melhorias físicas. Estou muito grata à organização portuguesa por ter trazido tamanha bênção para a minha vida, à Venerável XianAn Sunim, aos restantes monges e monjas que partilham generosamente connosco os ensinamentos do Mestre YongHua.